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    NeuroLog, quem diria, acordou em Macaíba

    Demorou, mas finalmente foi possível encontrar um instante para produzir a primeira coluna do NeuroLog em terras brasilis. O plano original, concebido antes do embarque para o Novo Mundo, era fazer o relato dessa viagem diariamente. Todavia, as seguidas viagens pelo Brasil, as palestras em diferentes cidades, bem como a rotina cotidiana do Instituto Internacional de Neurociências de Natal nao permitiram a concretização do plano original.

    Na falta do Plano A, optei pelo famoso Plano B, aquele que todo experimentalista sempre carrega na manga do jaleco. Ao invés do relato diário, esperei pela conclusão da primeira semana dessa viagem para começar a contar o que de interessante aconteceu.

    Assim, durante os próximos dias, pretendo descrever algumas das experiências e sensações que marcaram essa rápida excursão por realidades bem distintas da neurociência brasileira. Desde a abertura do primeiro curso de neuropróteses, realizado no Hospital Sírio-Libanês em São Paulo, a palestra para os alunos do curso de medicina da Unicamp, até a recepção de um Ministro de Estado no Instituto Internacional de Neurociência de Natal (IINN), bem como as seguidas visitas às obras do Centro de Saúde, Educacional, e de Pesquisas do IINN que se realizam na pequena Macaíba, nas cercanias de Natal, muita coisa pitoresca e importante aconteceu.

    Na realidade, mal posso acreditar que já se passaram dez dias desde que cheguei a Salvador, nas asas do avião da TAP, numa tarde de domingo de final de feriadão.

    O nome do avião não podia ser mais apropriado: Pedro Álvares Cabral.

    Escrito em caligrafia confiante, o nome dava a certeza a todos os que embarcaram em Lisboa que nada de errado poderia acontecer com o nosso vôo. Afinal, com esse patrono, o avião não ia precisar nem de piloto. Ia achar o Brasil só no faro!

    E achou, pra deleite dos passageiros que saudaram a aterissagem no aeroporto Luís Eduardo Magalhães (ou seria 2 de Julho?) com grande salva de aplausos.

    Parece que ninguém estava levando muita fé no Cabral de asas!

    Eu, por mim, era só felicidade. Afinal de contas, começava ali mais um retorno, tão inesquecível e único como tantos outros foram. Como tantos que trouxeram, exilados brasileiro como eu, de volta ao porto seguro.

    De Lausanne à Macaíba em uma semana!

    Quem disse que vida de neurocientista é monótona?

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